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Como se desenvolve o cancro colorretal? Conheça os principais fatores de risco e quem deve fazer uma colonoscopia

O cancro colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no cólon ou no reto e está entre os cancros mais comuns do aparelho digestivo. Muitas pessoas pensam que só é necessário investigar a doença quando surgem sintomas como sangue nas fezes, dor abdominal ou alterações persistentes dos hábitos intestinais. No entanto, o cancro colorretal pode não causar sintomas evidentes nas fases iniciais.

Em alguns casos, a doença desenvolve-se gradualmente, seguindo uma sequência como mucosa intestinal normal → pólipo adenomatoso → lesão pré-cancerosa → cancro colorretal. O rastreio adequado pode permitir a deteção precoce do cancro e a identificação e remoção de alguns pólipos com potencial de transformação maligna.

1. Como se desenvolve o cancro colorretal?

O cancro colorretal geralmente não surge de forma repentina. O seu desenvolvimento está relacionado com a acumulação de alterações genéticas e epigenéticas nas células do cólon ou do reto.

Quando os mecanismos que regulam o crescimento, a divisão e a morte celular sofrem alterações, algumas células podem começar a crescer de forma anormal. Em determinados casos, esse processo pode começar com pólipos adenomatosos.

De forma simplificada:

Mucosa intestinal normal → pólipo adenomatoso → lesão pré-cancerosa → cancro colorretal

Nem todos os pólipos se transformam em cancro. No entanto, alguns adenomas apresentam potencial de transformação maligna. Por isso, a colonoscopia pode desempenhar um papel importante na identificação e remoção precoce dessas lesões.

O risco de cancro colorretal resulta da interação de vários fatores, incluindo idade, genética, historial familiar, doenças inflamatórias intestinais e hábitos de vida.

2. Quais são os principais fatores de risco?

Idade

A idade é um dos principais fatores de risco. Com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de acumulação de alterações genéticas nas células.

Contudo, o cancro colorretal também pode ocorrer em adultos mais jovens, pelo que a idade, por si só, não elimina o risco.

Historial familiar

Pessoas que têm familiares de primeiro grau com cancro colorretal podem apresentar um risco superior ao da população geral.

O risco merece especial atenção quando existem vários casos na família ou quando um familiar foi diagnosticado numa idade relativamente jovem. Nestas situações, pode ser necessário avaliar a possibilidade de síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar (PAF/FAP).

Historial de pólipos colorretais

Alguns pólipos, especialmente os adenomas, estão associados a um maior risco de cancro colorretal.

Ter um pólipo não significa ter cancro. No entanto, pessoas que já tiveram adenomas podem necessitar de um programa de vigilância diferente, dependendo do número, tamanho e características histológicas dos pólipos.

Doença inflamatória intestinal

Doenças inflamatórias intestinais de longa duração, como a colite ulcerosa e a doença de Crohn, podem aumentar o risco de cancro colorretal.

Nestes casos, a idade de início e a frequência do rastreio devem ser determinadas individualmente, tendo em conta a duração e extensão da doença e outros fatores de risco.

Excesso de peso e obesidade

O excesso de peso e a obesidade estão associados a um maior risco de cancro colorretal. A manutenção de um peso saudável e a prática regular de atividade física podem contribuir para a redução de alguns fatores de risco.

Alimentação

Uma alimentação com elevado consumo de carnes vermelhas e carnes processadas e baixo consumo de vegetais, fruta e fibras está associada a um maior risco de cancro colorretal.

Uma alimentação equilibrada, com maior consumo de vegetais, fruta e cereais integrais, pode contribuir para uma melhor saúde geral.

Sedentarismo

A falta prolongada de atividade física está associada a um maior risco de cancro colorretal. A prática regular de exercício pode ajudar a controlar o peso e contribuir para a saúde geral.

Tabagismo e consumo de álcool

O tabagismo prolongado está associado a um maior risco de cancro colorretal e de adenomas.

O consumo elevado de álcool também está relacionado com um aumento do risco. Evitar o tabaco e reduzir ou evitar o consumo de álcool são medidas importantes para a prevenção.

3. Quem deve fazer uma colonoscopia para rastreio?

A colonoscopia não deve ser realizada apenas depois do aparecimento de sintomas.

Para adultos assintomáticos com risco habitual, algumas diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreio do cancro colorretal aos 45 anos. A decisão de continuar o rastreio em idades mais avançadas deve considerar o estado geral de saúde, o historial de rastreio e as preferências individuais.

As recomendações podem variar entre países. Por isso, a idade de início e o método de rastreio devem ser definidos de acordo com as orientações locais e as características individuais.

Pessoas com risco habitual

Pessoas sem historial pessoal de cancro colorretal, pólipos de alto risco, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias conhecidas podem seguir o programa de rastreio recomendado para a população geral.

O rastreio não se limita à colonoscopia. Dependendo das orientações, também podem ser utilizados testes às fezes, sigmoidoscopia ou colonografia por tomografia computorizada.

Pessoas com risco aumentado

Alguns grupos podem necessitar de iniciar o rastreio mais cedo ou realizar exames com maior frequência, incluindo:

  • Pessoas com historial familiar de cancro colorretal;
  • Pessoas que já tiveram adenomas ou outros pólipos de alto risco;
  • Pessoas que já tiveram cancro colorretal;
  • Pessoas com doença inflamatória intestinal de longa duração;
  • Pessoas com síndromes hereditárias relacionadas com o cancro colorretal, conhecidas ou suspeitas.

Nestes casos, o plano de vigilância deve ser definido por um profissional de saúde.

4. Quais os sintomas que merecem atenção?

O rastreio destina-se principalmente a pessoas sem sintomas evidentes. Quando existem sinais sugestivos de doença colorretal, não se deve esperar simplesmente pelo próximo exame de rotina.

Alguns sinais que justificam avaliação médica incluem:

  • Sangue nas fezes ou fezes muito escuras;
  • Alterações persistentes dos hábitos intestinais;
  • Diarreia ou obstipação prolongada;
  • Alterações persistentes na forma das fezes;
  • Dor ou distensão abdominal recorrente;
  • Perda de peso inexplicada;
  • Anemia sem causa conhecida;
  • Cansaço persistente.

Estes sintomas não significam necessariamente que exista cancro colorretal, uma vez que outras doenças também podem provocar manifestações semelhantes. No entanto, sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde.

É importante lembrar que o cancro colorretal em fase inicial pode não apresentar sintomas evidentes.

5. Porque é importante a colonoscopia?

A colonoscopia permite observar diretamente o interior do cólon e do reto. Quando são identificados pólipos ou lesões suspeitas, podem ser recolhidas amostras para análise histopatológica.

Em determinados casos, os pólipos podem ser removidos durante o próprio procedimento. Desta forma, a colonoscopia pode contribuir não só para a deteção do cancro, mas também para a identificação e remoção de algumas lesões pré-cancerosas.

A colonoscopia, contudo, não é necessariamente a única opção de rastreio. A escolha do método depende da idade, do risco individual, do historial clínico e das recomendações médicas.

6. Como reduzir alguns fatores de risco?

Embora nem todos os casos de cancro colorretal possam ser prevenidos, algumas medidas podem ajudar a reduzir fatores de risco modificáveis:

  • Manter um peso saudável;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Consumir mais vegetais, fruta e cereais integrais;
  • Aumentar a ingestão de fibras;
  • Reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas;
  • Não fumar;
  • Evitar ou reduzir o consumo de álcool;
  • Conhecer o historial familiar;
  • Realizar o rastreio de acordo com a idade e o nível de risco individual.

Estas medidas não substituem o rastreio recomendado.

Conclusão

O desenvolvimento do cancro colorretal resulta da interação de vários fatores. Idade, historial familiar, alterações genéticas, pólipos colorretais, doença inflamatória intestinal, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo de álcool podem influenciar o risco.

Mais importante do que avaliar um único fator é conhecer o próprio nível de risco e realizar o rastreio adequado no momento certo.

Para pessoas com risco habitual, muitas diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreio aos 45 anos. Pessoas com historial familiar, pólipos anteriores, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias podem necessitar de um acompanhamento diferente e, em alguns casos, de rastreio mais precoce.

Conhecer os fatores de risco, realizar o rastreio adequado e procurar avaliação médica perante sintomas persistentes são passos importantes para a prevenção e deteção precoce do cancro colorretal.

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